quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

AINDA FALANDO DE POESIA...

Título: Poesia na varanda.
Autora: Sofia Junqueira.
Ilustração: Flávia Fargas.
Tema: Imaginação/Poesia/ Emoção.
Tema Transversal: Leitura.
Número de páginas: 27.
Acabamento: Grampo
ISBN: 9788575265253

Resumo: Este livro apresenta como a poesia está imersa em nosso dia-a-dia, em forma de som, de sentimento, de textura e movimento. A poesia que toca nosso coração e agita nossas mentes. A poesia pura e solta, aquela que nos conquista e nos dá saudade. Trás a alegria e a tristeza. Que tal mergulhar nela também?






























quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poemas Escolhidos.



Na aula do dia 12/12/12 foi montada em sala um grande roda de leitura onde cada aluno trazia um poema e o expunha.

Os poemas escolhidos por nós (autoras do blog, Carla Glycia Santos, Isanês Torres e Leonaira Melo) foram Uma Palmada bem Dada de Cecília Meireles, A vida de um AMAdor de Isa Torres (autora do blog) e por ultimo Dezembro, Janeiro e Fevereiro de Leonaira Melo (autora do blog).


Abaixo segue os poemas...



Uma palmada bem dada.

É a menina manhosa
que não gosta da rosa,
que não quer a borboleta
porque é amarela e preta,
que não quer maçã nem pêra
porque tem gosto de cera,
que não toma leite,
porque lhe parece azeite,
que mingau não toma,
porque é mesmo goma,
que não almoça nem janta
porque cansa a garganta,
que tem medo do gato,
e também do rato,
e também do cão
e também do ladrão,
que não calça meia
porque dentro tem areia,
que não toma banho frio
porque sente arrepio,
que não toma banho quente
porque calor sente,
que a unha não corta,
porque sempre fica torta,
que não escova os dentes,
porque ficam dormentes,
que não quer dormir cedo,
porque sente imenso medo;
que também tarde não dorme,
porque sente um medo enorme,
que não quer festa nem beijo
nem doce nem queijo...
Ó menina levada,
Quer uma palmada?
Uma palmada bem dada
Para quem não quer nada!

A vida de um AMAdor.

Um menino corria
Odsejo pendia
A solidão clamava
Mas ele sempre corria
De alegria há quem diria
Esse menino virou moço
E ainda assim corria
Apresava-se para encontrar o amor
Que sumia.

Dezembro, Janeiro e Fevereiro.

Tempo desses é bom de se ver.
Tempo de sol quente e céu azul.
De família junta; sem ter o que fazer.
Dizendo coisas por dizer..

Nesse tempo o mar fica ainda mais bonito.
Gente indo e vindo num infinito.
Vejo peles queimadas, douradas.
É o tempo da manga, das mangas verdes e rosadas.

Já vejo criança jogando pião,
E mãe gritando: sai da Rua João!!!
E ela sempre tem a tal da razão.
Só que tudo isso sem muita preocupação.

Tempo de sensações e sentimentos.
De jovens nas calçadas a rir dos 'ventos'.
Isso é alicerce para o crescimento.
Ah como são respeitados esses santos momentos.

Vejo coqueiros pesados.
O por do sol em belos tons alaranjados.
E o astro rei vai embora; anoiteceu.
Mas ninguém adormeceu.

Tudo tão quente, num tom de felicidade.
Desejo que dure uma eternidade...
Nota-se; estamos na melhor estação.
E tempo de verão!

domingo, 16 de dezembro de 2012

O menino que Carregava água na peneira.


No dia 12/12/2012 todos ficamos encantados com seguinte poema trazido pela professora Gisele. Ele fala justamente do ato de escrever. Uma bela obra de arte de Manoel de Barros. Que está no livro Exercícios de ser criança.
                                                

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
- Manoel de Barros -

Manoel de Barros é nascido em Mato Grosso, escritor brasileiro do século vinte, é formalmente modernista. Além de escritor é fazendeiro e advogado.

Imagens: Bydebby e Colorindopaginas